Giovanna Fantinato

O negócio tem objetivo de promover o consumo consciente de pescados e de fortalecer a pesca artesanal do litoral paranaense 

Você sabe o que é biodiversidade e qual a sua importância para o meio ambiente? Muito além de proporcionar as belezas naturais que conhecemos, a biodiversidade é um fator importante para a preservação da natureza, considerando que todas as formas de vida funcionam como engrenagens: se uma espécie é comprometida, pode levar à extinção outras que dependem dela.

Como forma de conscientizar a população sobre a importância de preservar a diversidade biológica em todos os ecossistemas, foi criado o Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado anualmente em 22 de maio. A data instituída pela ONU é uma homenagem ao dia em que foi aprovado o texto final da Convenção da Diversidade Biológica, chamado “Nairobi Final Act of the Conference for the Adoption of the Agreed Text of the Convention on Biological Diversity”. A convenção foi considerada um dos principais fóruns mundiais das Nações Unidas voltado para questões relacionadas ao meio ambiente.

A relação entre biodiversidade e alimentação

O Brasil é considerado o país com maior biodiversidade de flora e fauna do planeta, tendo 103 mil espécies de animais e 43 mil vegetais conhecidas pela ciência. Toda essa imensidão, entretanto, pode ser reduzida drasticamente se não houver cuidado e responsabilidade por parte da sociedade e dos órgãos públicos responsáveis pela sua preservação. 

Nesse contexto, a alimentação tem um papel fundamental no impacto ao meio ambiente. Muitos peixes e tubarões em risco de extinção,  como o cação, o mero ou a garoupa, são utilizados na alimentação humana. Apesar de haver ações governamentais que proíbem a pesca de determinadas espécies em épocas específicas, ainda é possível encontrar peixes ameaçados em feiras e mercados. A pesca predatória e excessiva contribui para que mais espécies apareçam na lista vermelha de fauna ameaçada de extinção.

Olha o peixe! 

Foi pensando em promover o consumo consciente de pescados e no fortalecimento da pesca artesanal, que o negócio social Olha o Peixe! foi criado. Selecionada para o Projeto Legado 2019, a empresa atua com dois serviços: uma lista com informações dos pescados da época, que podem ser encomendados e recebidos na mesma semana; e o clube de assinatura, que conta com a entrega mensal de um pescado escolhido pelo assinante, além de outros benefícios, como produtos exclusivos, sorteios, brindes e descontos.

Nos dois pacotes, o cliente também recebe uma revista digital com receitas, dicas de preparo, características do peixe, de onde vem e um perfil da pessoa que realizou a pesca, com intuito de evidenciar a importância de cada indivíduo na produção artesanal e, assim, fortalecer a cultura e tradição das famílias do litoral paranaense.

O fundador do negócio social, Bryan Muller, explica que a ideia surgiu ao perceber uma grande demanda das famílias pesqueiras do Paraná.  “Elas se viam dependentes de compradores que não ofereciam valores justos por seus pescados e não valorizavam seu trabalho”, conta o empreendedor, que é mestre em Oceanografia. Além disso, Bryan notou que o alimento não era distribuído a outras regiões do estado, limitando-se majoritariamente à comercialização no litoral. “O Olha o Peixe nasceu, então, como uma possibilidade dos consumidores do estado acessarem pescados de qualidade, com preços justos e produzidos por famílias locais”, afirma. Bryan também ressalta que a iniciativa não trabalha com espécies ameaçadas de extinção e que todos os pescadores respeitam os períodos de proibição de captura e venda de pescados. 

Com apenas um ano e meio de atuação, o negócio já realizou mais de 1.600 entregas no litoral e região metropolitana de Curitiba. Ao longo desse período, já envolveu 80 famílias da pesca artesanal, divididas em oito comunidades pesqueiras. Bryan conta que a experiência no Projeto Legado foi um divisor de águas para o negócio social e fundamental para o seu crescimento. “Com as capacitações no Projeto Legado, a Olha o Peixe se viu muito mais organizada, motivada, e principalmente, preparada para atuar pela causa que acredita”, afirma.

O que fazer para não incentivar a pesca ilegal?

Ao comprar um pescado, é fundamental conhecer sua origem, saber o impacto ambiental que pode estar causando ao consumi-lo, e principalmente, buscar informações sobre as restrições de cada espécie para garantir um ecossistema equilibrado e saudável. Bryan explica que consumir espécies de pescarias de menor escala – como a pesca artesanal local – é essencial, já que elas causam menor impacto na biodiversidade marinha. “A pesca industrial tem poder de captura e impacto muito maiores que a pesca artesanal, além de um acúmulo de renda para poucos grandes empresários, ao contrário da descentralização de capital que ocorre nas comunidades de pesca local”, conta. Segundo o oceanógrafo, também é importante respeitar os períodos de defeso, momento em que os animais estão se reproduzindo. “Solicitar informações a respeito do alimento que está comprando é um direito do consumidor”, afirma. 

Para saber mais sobre o Olha o Peixe, acesse o site!