Impacto positivo e ativo faz parte da essência e do futuro da Youngers

Youngers

Negócio social capacita moradores de comunidades enquanto ensina responsabilidade social para empresas

O desejo por ajudar mais ativamente uma comunidade de Curitiba (PR) é o que fez Geovana Conti e Cléber de Sá, seu marido na época, a alugarem uma casa e se mudarem, com as duas filhas pequenas, para a Vila Torres. Cléber era professor de jiu-jitsu de crianças e adolescentes e estava envolvido com a comunidade. O casal entendia que a região precisava mais do que a presença esporádica, mas sim de um jeito para atender às principais demandas, que na época eram emprego e renda. Os empreendedores conheciam bem as famílias e sabiam do momento que cada um passava.

A Youngers começou a ganhar forma um pouco antes de se mudarem. Em 2011 o casal visitava a comunidade duas vezes na semana, mas foi em maio de 2014 que se tornaram moradores da região. Um dos espaços da casa, parecido com uma garagem, foi transformado em um coworking e passou a atender a demanda de geração de trabalho e renda dos moradores da comunidade Vila Torres, que fica próxima a região central da capital paranaense.

As pessoas da comunidade se tornavam qualificadas para o mercado de trabalho, ganhavam emprego, mas a Youngers não ganhava renda alguma. Fazer o projeto tornou-se insustentável, pois não podiam largar o emprego. “Precisávamos sustentar a casa, fazer nosso trabalho regular, cuidar das crianças e o projeto social”, explica Geovana Conti, consultora e fundadora da Youngers. 

Em 2018, a iniciativa venceu o edital da Aliança Empreendedora e Geovana ouviu: “Nós vamos te pagar para você ensinar empreendedorismo dentro do seu coworking”. A partir desse momento a Youngers viu que sim, era possível ganhar dinheiro e continuar com o que já vinham fazendo. 

No mesmo ano, ganharam da Aliança Empreendedora o prêmio de Aliada Destaque, que era ir ao Legado Experiência 2018, onde os ganhadores do Prêmio Legado do ano foram anunciados. Com essa visita, a Youngers foi estruturada, não só como um projeto social, mas sim um negócio, como conta a empreendedora. “Em 2018 a minha mente fundiu. Eu falei ‘nossa, a gente precisa achar um mercado, alguém que pague pra gente continuar com a qualificação profissional e empreendedora que já oferecemos’”. 

Após conhecer o Legado, prontamente já se inscreveram para o Projeto Legado de 2019. Esse foi o start que prontamente mudou tudo. “Eu fui apresentada ao conceito de negócio social no Legado. Então, se hoje a gente tem o modelo de negócio que a gente tem, eu diria que a possibilidade dele existir veio a partir da nossa experiência com o Legado. Ele não foi construído dentro do Legado, mas o que a gente decidiu ofertar para o negócio social, certamente aconteceu dentro das acelerações e dentro desse processo junto com o Legado”, relembra a consultora.

Geovana define o Projeto Legado como impactante, pois foi essencial por trazer o lucro para uma iniciativa que vivia por propósito. Após as mentorias do Legado, a consultora conseguiu conhecer outras acelerações, – que se quer sabia que existiam. “A gente foi se tornando mais maduro a partir daí. Se hoje a gente está aqui, com esse modelo, com a rede de contatos que a gente têm e com os clientes que a gente atua, é porque tudo começou lá em 2018/2019, com o Legado dizendo pra gente que esse universo existia e que era possível”. 

Projeto de expansão reestruturado durante a pandemia 

O projeto de expansão criado durante o Legado, era o “Lava Placas”. Uma iniciativa pensada a fim de empregar os moradores da comunidade que precisavam de oportunidades. A ideia era que, por meio de um aplicativo, os comerciantes que precisavam de uma lavagem nas suas placas e fachadas acionasse algum profissional disponível. O projeto acabou não sendo realizado por conta da pandemia, visto que não fazia sentido lavar as placas em época de isolamento social.  

A Youngers, uma das vencedoras do Prêmio Legado 2019, resolveu conversar com o Legado e utilizar o dinheiro ganho para colocar em funcionamento outro projeto. O “Vale quarentena”, que posteriormente passou a se chamar “Vale Solidariedade”, fez com que o comércio local continuasse girando e as famílias se alimentando. Funcionava da seguinte forma: os moradores recebiam os vales, mas só podiam utilizar em comércios dentro das comunidades. 

O projeto ficou rodando entre março de 2020 e final de 2021 e realmente fez sentido na vida de quem precisava. “Foi um sucesso total e completo. Centenas de famílias conseguiram manter o comércio local ativo e funcionando, além de que 42 pessoas não foram demitidas por causa do projeto”, conta Geovana.

Mas e aí, o que a Youngers faz?

Foi a partir do Legado que os serviços que são prestados pela Youngers atualmente, começaram a funcionar e ganhar força. Hoje, a iniciativa tem como cliente as empresas e pessoas físicas que querem impacto social. Um exemplo citado pela consultora é a Exxonmobil, que buscou o serviço para que seus funcionários se engajassem em projetos sociais. Grupo Marista e Unimed Curitiba são outros exemplos de empresas que buscaram os serviços da Youngers para dentro de suas equipes.

Mesmo atendendo grandes empresas, Geovana explica que as comunidades continuam sendo parte essencial dentro da prestação de serviço. “A gente desenha uma jornada empreendedora e executa essa jornada na comunidade que eles escolhem ou que a gente já está trabalhando”. A jornada é vendida em pacote por número de aulas e de facilitadores e qualificação terapêutica e técnica. Por fim, um relatório de impacto é gerado e enviado aos clientes. Lá, é possível verificar o número de pessoas impactadas, renda gerada e quantos negócios foram formalizados e qual sua perenidade.

Comunidade inserida dentro dos serviços

Para os moradores da comunidade, esse serviço chega de graça, pois já está sendo pago pelas empresas. Curso de empreendedorismo e mentorias específicas com mentores voluntários são algumas das atividades que chegam até os residentes. “Eles ganham também uma mentoria terapêutica, porque a gente entendeu que o nível de autoestima desses nossos alunos era muito baixo, e precisávamos dar um jeito de fazer com que eles acreditassem mais neles mesmo”, relata Geovana. 

Ao final do curso os alunos têm a oportunidade de fazer um pitch de até três minutos no evento chamado “Tucunaré Tank”, onde apresentam os negócios criados durante a jornada empreendedora, para investidores. Ao final, alguns projetos são escolhidos e recebem um valor de investimento, chamado capital semente, que serve para dar o impulso inicial nos projetos. 

Uma das sessões de pitchs marcou a vida da consultora. “Em 2018, quando tivemos a primeira turma se formando, no primeiro Tucunaré Tank, quando eu vi pela primeira vez os pitchs, aquilo ali mexeu muito comigo, vi que era possível. Tudo era possível. Era possível a gente monetizar, gerar impacto social e era possível ser efetivo na vida daquelas pessoas. Aquilo pra mim foi muito marcante”. 

Outro momento marcante ocorreu em 2022. Os serviços da Youngers viajaram o Brasil e chegaram à comunidade da Gamboa, na Bahia. “Quando eu cheguei lá pela primeira vez e vi a condição da comunidade, eu vi que Brasil inteiro padece de coisas muito parecidas, e quando a gente percebeu que a nossa metodologia se aplicava a eles também, aquilo virou minha chave e agora a gente oferece isso literalmente para o Brasil inteiro”, descreve Geovana, que agora realiza prospecções para o Brasil profundo. 

Em 2022, o negócio social atingiu o máximo de serviços e atendimentos que podiam estar sendo realizados, e a partir de então passaram a comercializar a metodologia para as empresas interessadas, ao invés da equipe executar. O primeiro cliente nesta modalidade foi a Meta, que está utilizando a metodologia dentro de grupos comandados por eles. A perspectiva futura da Youngers é a mesma motivação do início, ajudar, ativamente e com impacto positivo quem realmente necessita.

Quer conhecer mais iniciativas vencedoras do Prêmio Legado? Confira as histórias que já foram contadas. 

Texto: Sabrina Fernandes

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