empreendedorismo social e pandemia

Empreendedorismo Social em tempos de pandemia

Especialistas do setor de empreendedorismo social estiveram reunidos em live para falar sobre o posicionamento durante a pandemia de Covid-19

Na última quarta-feira, dia 03, especialistas do ecossistema de empreendedorismo social estiveram reunidos virtualmente durante live organizada pela Pós-Graduação em Empreendedorismo e Negócios Sociais, iniciativa do Instituto Legado em parceria com a FAE Business School. Mediada por Alexandre Amorim, coordenador do curso e diretor da ASID Brasil, a live contou com a participação James Marins, presidente do Instituto Legado, Andreia Calabria, gerente comercial da APAE Curitiba e Orlando Nastri, consultor do Instituto Votorantim.

Novos tempos, novas demandas

As transformações dos últimos meses criam um novo cenário para a sociedade. No ecossistema de impacto socioambiental positivo não foi diferentes. A APAE Curitiba, por exemplo, precisou fazer uma série de adaptações para manter virtualmente as aulas oferecidas para crianças com deficiência intelectual e/ou múltiplas deficiências. “Para continuar atendendo os estudantes, está todo mundo se reinventando”, afirmou Andreia Calabria. 

Orlando Nastri destacou o movimento de solidariedade entre empresas, institutos e fundações. Em maio, as doações em resposta à Covid-19 chegaram a R$ 5 bilhões. “Esse é um esforço coletivo da sociedade brasileira, que não tem uma cultura de doação tão grande, comparado a outros países, mas está se mobilizando muito. Vejo, primeiro, esse grande esforço, essa grande fraternidade para enfrentar um dos maiores desafios do nosso tempo”, afirmou.

Na avaliação de James Marins, estamos passando por um fenômeno de “aceleração de futuros”. “Ela (a pandemia) tem que ser um catalisador das mudanças que nós precisamos urgentemente no mundo. É uma oportunidade que nós ganhamos de nos reinventarmos enquanto sociedade planetária”, disse o fundador do Instituto Legado. De acordo com ele, as manifestações em torno do assassinato do segurança George Floyd, nos Estados Unidos, mostraram a força do sentimento de união.

Investimento social e propósito

A pandemia está evidenciando a necessidade de investimento na economia de impacto. “Não vejo mais a hipótese de uma empresa se posicionar sem pensar em propósito, em desenvolvimento sustentável da sua atuação”, observou Nastri. “Essa agenda veio para ficar, ela é central. As empresas precisam se adequar, mudar seu discurso, sua prática, assumir compromissos públicos, metas e pensar modelos de negócios que, de fato, sejam sustentáveis, e, de fato, gerem valor para o mundo”, completou. 

As instituições sociais também estão precisando se redescobrir. Calabria destaca a necessidade de diversificar as fontes de recursos e incentivar mindset de negócio. “A gente acredita muito que as instituições tradicionais também têm de reinventar e aproveitar essa mudança para se reinventar a longo prazo, para que a gente não fique só na filantropia”, disse a gerente comercial. “Os investidores estão pensando mais em investimentos que façam sentido para a ampliação do impacto das organizações”, complementou Marins, falando sobre o conceito de filantropia empreendedora.

Em resposta à crise, a APAE desenvolveu ações como venda de álcool em gel e máscaras, brechó onlie, além da produção de kits de festa junina para entrega em casa. A ideia é produzir e vender doces e comidas típicas para que as pessoas possam festejar sem sair de casa. Com o case da APAExonados por Café, a instituição foi uma vencedoras do Prêmio Legado de Empreendedorismo Social 2019.

Um novo capitalismo

Para James Marins, há cada vez mais discussões sobre ampliação de programas de renda básica porque o capitalismo na forma como foi aplicado não consegue resolver todos os problemas da sociedade. “Por isso esta virada para um capitalismo social, que é um empreendedorismo social, que é um mercado voltado para resolver problemas e não para criar problemas”, disse Marins, lembrando a importância da tecnologia para ajudar a criar soluções positivas. Citou os exemplos da Academia Médica, do New York Café e da Broder, startup social que lançou uma ferramenta online para conectar voluntários com idosos e outras pessoas pouco familiarizadas o uso de aplicativos, programas de computador e outros serviços digitais.

Assista na íntegra

Se você não conseguiu acompanhar a live, mas quer ficar por dentro de tudo o que foi discutido, pode assistir à gravação pelo Youtube. Clique aqui e confira.

Stephane Sena

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