palhaçaria

De forma virtual, grupos de palhaçaria levam alegria e esperança para o ambiente hospitalar

Mesmo no contexto de pandemia e isolamento, grupos de palhaçaria profissional não desistiram de levar alegria e esperança para pacientes hospitalares. Sem poder entrar nas instituições de saúde, trupes como Miolo Mole e Nariz Solidário, que fazem parte da Rede Legado, adaptaram as atividades para o formato digital e continuam gerando impacto social positivo.

Do Rio de Janeiro, a Trupe Miolo Mole atua desde 2013 com foco em hospitais pediátricos e tem um elenco formado por 34 doutores palhaços. Em 2020, com o agravamento da pandemia gerada pelo novo coronavírus, foi preciso recalcular a rota e reformular a atuação para continuar atendendo crianças. “Nosso propósito é levar transformação social para as crianças em vulnerabilidade social dentro do hospital, por conta do isolamento que ela vive, de todas as decisões que ela não tem poder de tomar e a falta de contato com família e amigos”, afirma o fundador da ONG, Pablo Tavares. E foi com base nesse propósito que eles perceberam que, mesmo longe, dá para continuar perto. 

As visitas da Trupe Miolo Mole acontecem agora por meio de chamadas de vídeo. Inicialmente, os atendimentos virtuais foram feitos com as crianças que haviam sido liberadas pelos hospitais para evitar risco de contaminação pelo coronavírus durante a internação. Depois, as atividades no ambiente digital se estenderam para as crianças que continuaram nos hospitais. 

Uma dupla de palhaços se conecta à criança hospitalizada por meio de um tablet e faz a festa acontecer por meio de brincadeiras e da linguagem artística. “A gente conta com o auxílio de uma pedagoga do hospital que faz a ponte nós. Bate na porta, pergunta se pode entrar e dá o tablet para a crianças”, explica Pablo.

palhaçaria

Palhaçaria e impacto social

De acordo com o fundador, a Trupe Miolo Mole já atendeu mais de 30 mil crianças e, em 2019, iniciou um projeto em Angola.  Durante a pandemia, as atividades estão sendo mantidas com apoio de doações e realização de cursos, mas ainda há desafios para manter a sustentabilidade financeira. “Ser palhaço e estar nos hospitais com essas crianças é meu propósito de vida. Eu consigo olhar para toda uma trajetória e todas as crianças que foram atendidas e impactadas, aquelas que conseguem vencer a doença, superar suas dores, e também aquelas que partem, mas que marcam nossa trajetória. São as coisas que me fazem acreditar na necessidade de fazer esse trabalho continuar vivo”. 

Saúde no Brasil

Pablo espera que, mesmo depois da Covid-19, a sociedade continue pensando a real importância da saúde pública no país. “A gente precisa entender que o ser humano é integralmente importante, não só no corpo físico, mas também na sua alma e na sua espiritualidade. Isso é entender que ele precisa de remédio, mas também precisa de afeto, cuidado, carinho, acolhimento e alegria. Precisa ser reconhecido como alguém que tem nome e história. Uma vez eu ouvi uma frase que me marcou muito: ‘todo paciente é o amor de alguém’. Hoje, como pai, eu consigo entender o quanto é importante você ter um filho, uma filha que recebe carinho. Desejo que a saúde seja o carro-chefe do nosso país. O que eu puder fazer por isso eu vou fazer”, finaliza.

De Nariz para Nariz

No Paraná, a Associação Nariz Solidário, que atua para humanizar e transformar ambientes de cuidado com a saúde, criou o projeto “De Nariz para Nariz” e atuará em quatro hospitais de Curitiba e Região Metropolitano promovendo a arte da palhaçaria por meio da tecnologia. 

Adaptadas para os tempos de pandemia, as intervenções contam com uma manequim apelidada de Covidina, que leva um tablet no lugar do rosto e apresenta as atuações dos palhaços para os pacientes, colaboradores e profissionais dos hospitais – tudo de forma virtual, remota e segura. Dois dos quatro hospitais atendidos pela ONG receberão visitas presenciais da Covidina, enquanto aos demais serão entregues vídeos e outros materiais para serem transmitidos.

palhaçaria_

 

“Em Curitiba e Região Metropolitana, as restrições de circulação e dificuldades logísticas e econômicas dificultaram o trabalho dos grupos de palhaçaria que atuam nos hospitais. Este importante projeto nos fará entregar uma intervenção artística de grande potencial terapêutico, em um momento no qual todos estão sobrecarregados. Com o apoio dos nossos parceiros, o Nariz Solidário se posiciona como um relevante agente de transformação e de auxílio ao setor de saúde em meio a uma pandemia sem precedentes”, explica o presidente da organização e coordenador do projeto, Eduardo Roosevelt.

Texto: Stephane Sena, com colaboração de Nariz Solidário
Fotos: Divulgação

Quer conhecer outras iniciativas que passaram pelos programas de aceleração do Instituto Legado? Clique aqui e inspire-se!

Assine nossa news e receba conteúdos exclusivos de impacto social!

Olá! Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp