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Um Baile Bom: território que empodera a comunidade negra por meio da cultura, do ativismo e do empreendedorismo

Texto: Stephane Sena
Fotos: Rony Hernandes

Há 100 anos, nascia o homem que se tornou símbolo mundial da luta contra o regime do Apartheid na África do Sul, contra discriminação racial e em favor da justiça e dos direitos humanos: Nelson Mandela. Morto aos 95 anos, o líder negro deixou um legado para todas as gerações e continua a inspirar movimentos de combate ao racismo, em suas diferentes formas, e que buscam a reafirmação da identidade negra.

Em Curitiba, uma iniciativa que mistura ato político, cultura e empreendedorismo tem sido um dos grandes exemplos de mobilização da comunidade negra. O Um Baile Bom existe há três anos e foi iniciado em dos mais antigos clubes sociais negros do país, a Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio.

Espaço de reafirmação

Inspirado nos bailes black das décadas de 1970 e 1980, o Um Baile Bom é uma festa que já recebeu mais 6 mil pessoas. Tudo começou quando a produtora cultural Brenda dos Santos buscava uma festa com horários compatíveis à sua rotina de mãe. “Quando surgiu o baile, eu estava parada, já era mãe e não conseguia lugares para curtir e voltar cedo para casa. Surgiu a ideia de fazer uma festa que começasse às 20h e ela cresceu muito rápido”, explica.

Com o sucesso, a festa começou a formar filas na entrada e Brenda percebeu que a maioria das pessoas na espera era negra. A solução encontrada foi distribuir convites para que a comunidade negra pudesse ter prioridade na entrada; a estratégia deu certo.

Para que os ingressos cheguem especialmente ao público periférico e da Região Metropolitana de Curitiba, foi criada a REDE PRETA, que conta com a articulação da comunidade através de coletivos, empreendedoras, colaboradores e parceiros negros. Uma conta dos ingressos é vendida pela internet e pontos de venda centrais, a outra parte fica com a rede.

O Baile também propõe atividades culturais, como oficinas de dança e debates. Por meio da REDE PRETA, incentiva negócios de afroempreendedores e deve iniciar programas de formação.

Valorização Feminina

No próximo dia 25, é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e o Um Baile Bom também é exemplo de iniciativa que valoriza o afroempreendedorismo feminino. Por meio da REDE PRETA, o movimento-festa-ato político é parceiro de empreendedoras negras, não só na venda de ingressos e articulação, mas em negócios que trabalham a auto-estima da comunidade negra. Iniciativas como Africanize Ecodesign, Preta Fina, Deby Tranças e CWBraids fazem parte da rede.

Brenda conta que parou os bailes para fazer uma remodelação, mas volta com força total em pouco tempo.“A gente volta em setembro com dois formatos de baile, um mais atualizado, pincelando músicas clássicas das décadas de 1970 e 1980 com ritmos como reggaeton e rap; o outro modelo tem a pegada dos bailes nostalgia, que acontecem em São Paulo, e que atende um público mais velho”, finaliza.

Para saber mais sobre a iniciativa, acesse https://umbailebom.wordpress.com e www.facebook.com/BaileBomCWB