Imagens: Sérgio Vanalli/Retina Social

Você sabia que o último domingo de janeiro é dedicado ao Dia Mundial da Luta Contra a Hanseníase? A data foi criada para mobilizar a sociedade em torno da doença que, antigamente, era conhecida como lepra. Diversas ações de conscientização são realizadas pelo país e marcam a campanha do Janeiro Roxo, no qual chama-se atenção para os sinais e sintomas da hanseníase, alertando para a importância do diagnóstico precoce a fim de evitar sequelas graves.

O que é a hanseníase

A hanseníase é uma doença crônica infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que se multiplica lentamente e pode levar de cinco a dez anos para dar os primeiros sinais. A patologia afeta principalmente os nervos periféricos e está associada a lesões na pele, como manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, ressecamento e perda de sensibilidade. O diagnóstico tardio pode deixar graves sequelas, especialmente a incapacidade física com deformidades em mãos e pés, podendo levar também à cegueira. Quem sofre com a doença, além de todos os problemas de saúde, ainda precisa conviver com o estigma e o preconceito.

Números da doença no Brasil

Apesar da invisibilidade, a hanseníase faz parte de uma chocante realidade no Brasil. O país é o segundo com o maior número de casos no mundo, atrás somente da Índia. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2018 foram detectados 28.660 novos casos no território brasileiro, dentre estes, 1705 casos em menores de 15 anos de idade. Em 2018, o Paraná registrou 550 novos casos, de acordo com números da Coordenadoria Estadual de Hanseníase.

Moradora de Curitiba, Francisca Barros da Silva (na foto) tem 64 anos e foi diagnosticada com hanseníase ainda na infância. Depois de passar por tratamentos, foi curada e iniciou uma trajetória de ativismo em prol de pessoas que também possuem ou já possuíram a doença. “Temos que cobrar mais das pessoas responsáveis por nossa saúde”, afirma Francisca.

Hanseníase tem cura

Nem todos sabem, mas a hanseníase tem cura e tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Durante 12 meses, o paciente diagnosticado precisa tomar três tipos de antibióticos, fornecidos gratuitamente, e manter acompanhamento mensal. O maior entrave para a eliminação da doença está na dificuldade de identificá-la. Segundo a dermatologista e hansenologista Laila de Laguiche, são poucos os médicos que ainda sabem fazer o diagnóstico. Para ajudar a mudar este cenário, Laila criou o Instituto Aliança contra Hanseníase, iniciativa que desde 2019 trabalha para conscientizar a população e capacitar médicos.

“Por falta de conhecimento, o diagnóstico da hanseníase tem sido tardio e os pacientes e pessoas próximas sofrem com consequências graves, além do aumento do risco de transmissão da doença não tratada. Quando mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura e menor o risco de sequelas”, afirma Laila. Com menos de um ano de atuação, o Instituto já conseguiu impactar mais de 1 milhão de pessoas com projetos de capacitação médica.

Campanha “Se amarre nessa aliança”

Para mobilizar e conscientizar as pessoas em relação à existência da hanseníase e sua prevenção, o Instituto Aliança contra Hanseníase lançou em janeiro a campanha “Se amarre nessa aliança“, na qual distribuiu 4.000 fitinhas roxas por várias regiões do país. As fitas já foram distribuídas, em conjunto com apoiadores e algumas coordenadorias estaduais de saúde, em oito estados: Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Pernambuco, Pará, Minas Gerais, Espírito Santo e Maranhão. As pessoas que quiserem apoiar a campanha podem pegar as fitinhas em ações de conscientização e prevenção realizadas em sua cidade, tirar uma foto e marcar o Instituto nas redes sociais, no usuário @aliancacontrahanseniase.

Para saber mais, acesse: www.allianceagainstleprosy.org/