Cantora cadeirante, poeta negro, pianista drag, tradutora de LIBRAS, apresentação de projetos de apoio a pescadores, jovens da periferia, egressos do sistema carcerário, idosos, pessoas com deficiência, mulheres vítimas de violência, lésbicas, transexuais…inclusão não faltou ao Legado Experiência 2019. A edição que fez um chamado à ação e celebrou o trabalho de quem importa com a construção de uma sociedade mais justa, equalitária e sustentável, reuniu 500 pessoas na noite do dia 17 de outubro, no Teatro Fernanda Montenegro.

Inspirada no documentário Quem se Importa, da cineasta Mara Mourão, a terceira edição do Legado Experiência também foi um momento de balanço e revisão da história do Instituto Legado. No palco, seu fundador e presidente, James Marins, contou que, ao lado da esposa Gláucia Marins, decidiu iniciar o projeto de empreendedorismo social depois de assistir ao filme. A semente plantada cresceu e gerou frutos. Em sete anos de atuação, o Instituto Legado já acelerou 206 iniciativas e ofereceu 870 horas de capacitações e mentorias.

Para celebrar essa jornada, o palco do Legado Experiência recebeu a própria Mara Mourão. “Não interessa se você trabalha com educação, saúde, direitos humanos…se trabalha em Ong, negócio social ou empresa. Você sempre pode causar uma transformação positiva ao seu redor”, disse. Sobre o filme, a cineasta afirmou: “para mim, o Legado Experiência foi o auge de impacto do Quem se Importa”. 

Wellington Sabino deu o tom poético à noite e emocionou os convidados ao recitar um poeta dedicado à sua filha. “Desejo que seja forte, mas que também seja amável, que seja frágil sem ser vulnerável. Desejo que você responda à altura os preconceituosos e que saiba que para cada palavra ofensiva haverá milhões de abraços afetuosos…” Wellington é o campeão 2019 do Slam da Língua Portuguesa.

“O melhor livro de empreendedorismo social já escrito”

No saguão do Teatro Fernanda Montenegro, James Marins lançou o livro “A Era do Impacto”, em que defende o conceito de Movimento Transformador Massivo e argumenta que a humanidade vive o momento mais propício para realização de grandes avanços sociais. Com forte resgate teórico, histórico e filosófico, o autor faz um panorama sobre o perfil do empreendedor tradicional e compara-o ao modelo mental do empreendedor de impacto, defendendo que este se diferencia por priorizar o elemento ético nos negócios. Mara Mourão, que fez o prefácio do livro, declarou no evento que trata-se do “melhor livro de empreendedorismo social já escrito”. 

Formatura de impacto

A turma da pós-graduação EAD em Empreendedorismo Social e Negócios Sociais, oferecido pela FESP em parceria com o Instituto Legado, fez sua formatura durante o Legado Experiência. Os alunos Eduardo Roosevelt e Isabela Bonet subiram ao palco para representar os colegas, de várias partes do país, e comemorar a conquista. O momento também foi de agradecer o investidor social e diretor do Instituto Legado, Alexandre Barbosa, que em 2018 financiou mais de 40 bolsas de estudo para que empreendedores sociais de todo o país pudessem se qualificar.  

Prêmio Legado de Empreendedorismo Social

O momento mais esperado do Legado Experiência também foi carregado de emoção. A sétima edição do Prêmio Legado de Empreendedorismo Social teve o troféu criado pelo Estúdio Boitatá. A peça recebeu o nome de Yoko, símbolo de uma lenda que diz que com uma única asa não é possível voar, mas ao encontrar uma nova asa damos um voo lindo. “O papel do Legado é fazer com que essas asas se encontrem”, explicou no palco Gláucia Marins. Conheça os premiados da noite:

APAE Curitiba: A instituição APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, nasceu em 1954, no Rio de Janeiro, com o objetivo de promover a atenção integral à pessoa com deficiência, prioritariamente aquela com deficiência intelectual e múltipla. A organização promove ações de defesa de direitos, prevenção, orientações, prestação de serviços e apoio às famílias, na busca do desenvolvimento integral, habilitação e reabilitação, melhoria da qualidade de vida e inclusão social da pessoa com deficiência intelectual e/ou múltiplas, na família e comunidade.

 

Geração Bizu: A Geração Bizu tem como propósito diminuir o índice de reincidência no Brasil de pessoas no sistema prisional, através do desenvolvimento emocional, social e profissional desta população. A criação do primeiro café social, no qual todos os colaboradores são pessoas privadas de liberdade, promove a sensibilização para esta causa e traz um diálogo com a comunidade e governo sobre esta demanda.

 

Youngers: Empresa de desenvolvimento humano com a proposta de estimular jovens e adolescentes através da oferta de espaços de diálogo e construção de identidade, junto com cursos de empreendedorismo básico, mentorias e acompanhamento de novos negócio. Por meio das palestras, vivências, cursos e encaminhamentos profissionais para jovens na fase do 1º emprego. 

Não terminou por aí: a pianista drag queen Jeruza Miller fechou a noite com chave de ouro. Enquanto se apresentava, os convidados acompanharam imagens dos preparativos para o Legado Experiência.

 

Ano que vem tem mais :-)