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Artigo: Criando impacto social

Empreendimentos sociais precisam ter muito claro quais são os seus objetivos, o que precisam fazer para atingi-los e como vão mensurar o seu sucesso. Pensando nestas questões, os professores Marc Epstein e Kristi Yuthas entrevistaram mais de 60 fundações, institutos e empresas americanas (dentre elas Bill e Melinda Gates Foundation, Procter & Gamble e Rockefeller Foundation). O resultado foi a criação do Ciclo de Criação de Impacto Social, ferramenta que pode ser utilizada por investidores sociais (filantropos), investidores de impacto, empresas e empreendimentos sociais (negócios sociais ou organizações da sociedade civil).

Muitos investidores e empreendedores sociais acabam presumindo que boas intenções geram ações significativas, confundindo o número de atividades com a qualidade dos resultados. Esta contabilidade de resultados com base no número de atividades é apresentada nos relatórios anuais, que confundem números de beneficiários atendidos com impacto social.

Entende-se que impacto social são as mudanças sociais e ambientais criadas por atividades e investimentos. Estas mudanças podem ser tanto positivas quanto negativas. E investimento não é somente o financeiro. Investimento que cria impacto social pode ser investimento de tempo, expertise, bens materiais, conexões, reputação e outros recursos valiosos.

Vejam que as mudanças são sutis, mas é importante que o foco seja no impacto, pois as atividades realizadas nem sempre entregam os resultados esperados e instintos nem sempre estão certos. Além de se preocupar com a comprovação do impacto social positivo, o Ciclo de Criação de Impacto Social também se preocupa em evitar os impactos sociais negativos, que acabam sendo ignorados no momento da avaliação de resultados.

O Ciclo é baseado em 5 perguntas fundamentais:

1. O que você vai investir?

Quais são os seus objetivos de investimento? Por que você está investindo nesta iniciativa? O que você quer conseguir com este investimento? Você espera somente retornos sociais ou também financeiros? Você quer retorno de marca para a sua empresa? Quais os recursos que você vai investir para a transformação social?

2. Qual problema você quer resolver?

Decida quais são os problemas sociais que mais te interessam e se você vai se dedicar à uma causa ou a um portfólio de causas. Aqui no Liga Social, por exemplo, nos dedicamos à um portfólio de causas e focamos nossa atuação na ponte entre investidores sociais e projetos.

3. Quais os passos que você vai dar?

Para entregar o impacto social desejado, desenvolva uma teoria sobre quais ações podem criar este impacto. Depois, um modelo lógico mostrará quais atividades/entregas resultarão em impacto positivo.

4. Como você vai medir o sucesso?

Escolha um sistema de mensuração de impacto e um sistema de gestão que ajude a monitorar a criação de transformação social. Defina o seu objetivo com a mensuração dos resultados: se é para ver a efetividade do que já foi realizado, para comunicar quais são as expectativas de resultado ou satisfazer as demandas do investidor social.

5. Como você vai aumentar o impacto?

A roda do Ciclo de Criação de Impacto Social se fecha quando são avaliados os resultados trazidos pelo sistema de mensuração de impacto. São revisados o propósito, as métricas coletadas e as relações do resultado com a estratégia.

Seguindo estes passos do Ciclo de Criação de Impacto Social, tanto os investidores sociais quanto os empreendedores sociais se tornarão mais rigorosos na definição de sucesso. Será possível entender a relação de causa e efeito entre as atividades realizadas (ou entregas) e o impacto atingido.

Patricia Mussi, fundadora do Instituto Liga Social e vice-presidente da Associação e Oficinas de Caridade Santa Rita. Formanda em Direito, tem dez anos de experiência em investimento social privado e terceiro setor, sendo cinco anos como superintendente do Instituto Credit Suisse Hedging-Griffo. Possui especialização em Fundraising and Development na Universidade da California.

14/08/2017|Rede|