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Pioneiro no Paraná, Grupo Dignidade luta pelos direitos da comunidade LGBTI

Há exatos 28 anos, a homossexualidade era retirada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, conhecida CID. O que pode parecer uma resolução óbvia foi fruto de um longo processo de lutas e campanhas pelos direitos da comunidade gay. Desde então, o dia 17 de maio é celebrado como o Dia Internacional contra a Homofobia. Hoje, as lutas continuam, mas há muitos avanços e conquistas para serem comemoradas.

O professor Tony Reis sabe muito bem sobre essa história. Depois de morar por quatro anos em países Europeus e participar ativamente de movimentos LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais), ele voltou ao Brasil e encontrou um cenário de desrespeito e discriminação. “Foi em 1990. A falta de cidadania também era grande, ninguém queria fazer uma discussão pública sobre esse assunto. Senti uma vontade imensa de organização e, ao lado do meu marido, criei o Grupo Dignidade”, explica Tony, que hoje é diretor executiva da organização sem fins lucrativos que já tem 26 anos de atuação. O Grupo Dignidade foi o primeiro no Paraná a atuar na área de de promoção da cidadania de LGBTIs.

“No início foi muito difícil. Não encontrávamos apoio, só preconceito e discriminação. Com o tempo, fomos nos fortalecendo. Temos uma equipe de voluntários e, só no grupo de apoio psicológico, atendemos cerca de 100 pessoas por mês. Oferecemos acolhimento para quem preconceito na escola, em casa, no emprego, na igreja…em toda a sociedade”, conta Tony. Além desse serviços, a organização também desenvolve ações em outras frentes, como campanhas, educação, cultura e políticas públicas.

Um dos projetos mantidos pelo Grupo Dignidade é “Chega de Preconceito”: um mapa colaborativo para denunciar os locais onde o público LGBTI já passou por casos de denúncias, abusos, perseguições e preconceito, seja no Brasil ou em outras regiões do mundo. O Grupo Dignidade mantém e modera o sistema para promover políticas públicas de combate à intolerância.

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Conquistas

Para Tony, há uma lista significativa de avanços no combate aos preconceito.“Hoje melhorou muito. Por exemplo, conseguimos casar, adotar e as pessoas trans têm o direito de mudar o nome no cartório. Além disso, o Paraná já temos uma rede de 50 organizações que atuam na causa”, relata. Ainda há desafios, o maior deles é a criminalização da homofobia. “Como não é considerada crime, não temos amparo legal. O que temos feito é utilizar leis constitucionais, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Lei Maria do Rosário, que pune crimes de ódio”.

Buscando sustentabilidade técnica e financeira, o Grupo Dignidade participou do Projeto Legado 2017. “A gente não queria mais depender de projetos governamentais. Três membros da equipe fizeram as capacitações e trouxeram muitos ideias. Hoje nós temos portfólio, vamos fazer parcerias com empresa e estamos iniciando uma campanha de filiação”, diz Tony. O formulário de inscrição está disponível no link https://goo.gl/2vRHaH

No Projeto Legado 2018, a bandeira contra o preconceito de gênero está sendo levantando pelo Transgrupo, organização parceira do Grupo Dignidade que atua desde 2014 no atendimento à população trans. Saiba mais sobre o Transgrupo aqui.

17/05/2018|Rede|