Fotos: Giovana Bertoldi
Texto: Stephane Sena

Você sabe o que é uma carreira humanitária, como atuar na área e quais são os pré-requisitos dela? Essas e outras perguntas foram respondidas na noite desta terça-feira, 10, durante a palestra Missões Humanitárias Internacionais. O evento promovido pelo Instituto Legado, com o apoio da FESP, trouxe para Curitiba a coordenadora de Atração e Aquisição de Talentos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Patrícia Costa de Almeida Castro.

Para iniciar o encontro, a gestora de projetos sociais do Instituto Legado, Beatriz Groxco, apresentou as frentes de trabalho da instituição: capacitação, educação formal e fortalecimento de rede. Em seguida, a fundadora do Instituto Legado e investidora social, Gláucia Marins, falou sobre sua história no empreendedorismo social e as iniciativas do IL.

palestra6“Nossa missão é disseminar conhecimento sobre o empreendedorismo social através da educação”, afirmou Gláucia, fazendo menção às parcerias firmadas com Google for Education, FAE Business School e PUCPR. De acordo com a investidora social, a crescente robotização gerada pelos avanços tecnológicos tende a tirar o emprego de quem não tem uma educação básica, ou seja, de quem mais precisa de renda. “Nossa função, nesse cenário, é trazer essas pessoas para um mundo onde elas possam fazer parte”.

Profissão de impacto

Um dos grandes objetivos do evento foi mostrar que é possível combinar uma alta qualificação técnica com uma carreira de impacto social. O Instituto Legado valoriza a profissionalização de sua equipe, de forma a oferecer soluções cada vez melhores para a transformação social e para o fortalecimento de rede. “Qualquer profissional pode atuar na área social sendo remunerado. O que nós precisamos é de gente comprometida e o comprometimento vem a partir do momento em que você se engaja. O mais importante não é a quantidade de dinheiro que você vai ter no bolso no final do mês, mas uma quantidade com a qual você possa viver bem, se transformar interiormente e se sentir bem, fazendo o bem ao outro”.

Carreira humanitária

A trajetória profissional com propósito e baseada nos princípios humanitários envolve pessoas comprometidas com a proteção da vida e da dignidade de quem é vítima de conflitos armados e outras situações de violência. Fundado em 1863, o CICV trabalha no mundo todo para levar assistência humanitária às pessoas afetadas por conflitos e pela violência armada e para promover as leis que protegem as vítimas da guerra. É uma organização independente e neutra que tem cerca de 15 mil funcionários em mais de 80 países.

Muitas vezes, as pessoas acham que a gente ajuda pessoas, na verdade, na minha experiência e na experiência dos meus colegas, nós somos ajudados por pessoas”. Patrícia Costa.

Segundo a coordenadora de Atração e Aquisição de Talentos do CICV, Patrícia Costa, a motivação humanitária é o primeiro critério essencial para quem pretende seguir na área. Ainda fazem parte dos requisitos básicos características como liderança, iniciativa, comprometimento, foco no beneficiário, proatividade, trabalho em equipe e colaboração e empatia. Por se tratar de um trabalho em diferentes partes do mundo, ter fluência em outros idiomas é fundamental. Os idiomas oficiais do CICV são Inglês, Francês, Espanhol, Árabe e Russo. Ainda é preciso ter Carteira de Habilitação.

“Por um lado, precisamos dessas pessoas muito bem informadas, que investiram na carreira, por outro, precisamos de pessoas com as competências certas para fazer esse trabalho da forma mais humilde e centrada possível”, explicou Patrícia. “Esses critérios e motivações servem para que as pessoas busquem esse desenvolvimento. Muitas vezes somos imediatistas e isso acaba minando nossos sonhos e projetos de vida”.

Recrutamento

carreira humanitáriaAs oportunidades de trabalho são divulgadas no site do CICV, no link www.icrc.org/jobs. Ao se candidatar a uma vaga, é preciso enviar o currículo e uma carta de motivação que explique as razões para querer trabalhar em missões humanitárias. As etapas seguintes incluem triagem de idiomas (por telefone), entrevista de seleção, teste de idiomas e dinâmica. Os profissionais podem ser contratados para o cargo de delegado, que aceita diferentes formações e exige dois anos experiência, e de especialista, que precisa ter de três a cinco anos de experiência.

Os profissionais contratados precisam estar preparados para aceitar postos sem acompanhante durante as duas primeiras missões, cada uma de um ano. A partir do terceiro ano, o funcionário do CICV pode selecionar cinco países de sua preferência e levar a família para viver junto dele, mas é essencial estar disponível para mudanças repentinas, caso seja necessário.

Além de um salário competitivo, o CICV oferece benefícios sociais, como suporte à família, apoio profissional in loco e oportunidades para capacitação. Faz parte do trabalho diário tarefas como visitar prisioneiros de guerra e detidos civis, buscar pessoas desaparecidas, transmitir mensagens entre familiares separados por conflito e difundir o Direito Internacional Humanitário.

“Esse trabalho humanitário é extremamente gratificante. Exige muito da pessoa em termos emocionais, em termos físicos e em comprometimento. Mas por outro lado, dá uma gratificação que não pode ser descrita. Muitas vezes, as pessoas acham que a gente ajuda pessoas, na verdade, na minha experiência e na experiência dos meus colegas, nós somos ajudados por pessoas”, finalizou Patrícia.

Apoio voluntário

O sucesso do evento foi alcançado, também, graças ao apoio de uma equipe de voluntários que se ofereceu para ajudar na organização. Como agradecimento, o Instituto Legado ofereceu um bate-papo exclusivo com Patrícia Costa no Legado Socialworking.