Uma das maiores pontes para a aproximação de diferentes culturas e crenças, o esporte tem um imenso potencial de construir a paz e gerar autonomia. Em 2014, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o dia 6 de abril como o Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e pela Paz, uma forma de promover o papel do esporte como instrumento universal para a saúde e a serviço da sociedade.

O esporte diz respeito ao esforço individual e ao esforço coletivo, à atividade individual e à prática social; tem como base os conceitos de respeito, compreensão, integração e diálogo, além de contribuir para o desenvolvimento e a realização das pessoas, independentemente de idade, gênero, origem, crenças e opiniões. É por isso que o esporte é um fórum único para a ação e a reflexão, com o objetivo de transformar as nossas sociedades”, declarou em mensagem oficial a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

Há cerca de dez anos, por meio da UNESCO, foi criada a Rede Esporte pela Mudança Social (REMS), que reúne mais de 100 instituições e realiza cerca de 200 mil atendimentos diretos por ano. Ainda existem centenas de outras iniciativas que trabalham para democratizar o esporte e transformar vidas por meio dele. Conheça duas das iniciativas que atuam no esporte e fazem parte da Rede Legado.

Instituto Icaro

Fundado pelo professor de Educação Física Eduardo Luiz Marcolin, o Instituto Icaro nasceu com o objetivo de disseminar os valores transmitidos pela prática esportiva a crianças e jovens. O resultado foi vitorioso: são mais de 1700 beneficiários que aprendem a voar mais alto. “A gente tenta fazer uma ampliação de horizontes na vida deles, tornando o presente melhor e buscando gerar mais interesse pelo esporte, permitindo que esse interesse não tenha limites em possibilidades e oportunidades. A gente acredita que o esporte, até para aqueles que têm menor envolvimento, contribui com cidadania e saúde”, explica Duda, como o treinador é conhecido.

No Instituto Icaro a democratização do esporte é levada a sério. A equipe segue a missão de quebrar paradigmas e fazer com que o segundo esporte mais caro do mundo seja acessível às populações em vulnerabilidade social. Além de oferecer aulas para estudantes de escolas públicas e treinamentos para equipes de alto rendimento, a organização leva o tênis às praças públicas.

“O que a gente tenta fazer é permitir que essas crianças estejam em um alto desempenho, na medida que isso seja interessante para elas. O tênis vem quebrando paradigmas de uma forte bastante intensa e isso ficou bastante visível no mês passado, quando nós conquistamos o título nacional de interclubes disputando com 56 outras entidades de todo o Brasil. Nossos jogadores são todos de baixa renda, o que mostra que estamos quebrando essa ideia de esporte elitizado e gerando oportunidades. Temos garotos que, por meio do desempenho no tênis, receberam bolsa de estudo de 100% para estudar em universidades americanas”, conta com orgulho Duda.

Em 2015, a iniciativa foi acelerada pelo Projeto Legado e recebeu o prêmio de R$ 20 mil para investir em expansão de impacto. “Em Curitiba e em muitas cidades do Paraná, estamos estimulando o primeiro contato com o tênis, a paixão por esse esporte e a possibilidade de desenvolvimento”, finaliza do professor.

Vivendo o Rugby

Desde 1983, a organização sem fins lucrativos Curitiba Rugby Clube utiliza o esporte nascido na Inglaterra como ferramenta de transformação social. Há dez anos criou o Projeto Vivendo o Rugby (VOR), que atende mais de 2 mil crianças direta e indiretamente de escolas públicas da capital paranaense e da Região Metropolitana. São oferecidas aulas no contraturno para jovens entre 11 e 16 anos. Além disso, professores de Educação Física em escolas públicas recebem capacitações para colocar em prática a metodologia usada no VOR: ambientação, desenvolvimento e aperfeiçoamento.

“Além de ensinar o Rugby, nós contribuímos com a formação de cidadãos. O comportamento das crianças muda quando praticam o esporte e elas passam a ser vistas como referência positiva para as outras. Uma das vantagens do Rugby é que ele aceita pessoas de todo o biótipo e não só com um determinado físico. Isso promove a diversidade e a autoconfiança”, explica a coordenadora do Wanderleia Jentzsch.

Muitas das crianças beneficiadas pelo VOR entraram para a equipe de alto rendimento mantida pelo clube e chegaram à seleção brasileira. Em 2014, o Projeto foi vencedor do Spirit Of Rugby Award como melhor projeto social esportivo do mundo pela International Rugby Board. Este foi o primeiro e único prêmio conferido ao Brasil pela confederação internacional do esporte até hoje. Para 2018, a iniciativa quer ir ainda mais longe. Ao longo do ano seus representantes vão receber as capacitações do Projeto Legado com o objetivo de amadurecer e buscar sustentabilidade financeira.

“Quanto mais criança estiver dentro do esporte, menos criança estará na rua. A gente não pode perder essa batalha para a violência. Quando elas aprendem a praticar um esporte, aprendem a importância da convivência e ganham condições de buscar novos rumos”, finaliza Wanderleia.

Esporte para Todos

Para celebrar o Dia Mundial do Esporte para o Desenvolvimento e pela Paz, a praça Oswaldo Cruz, no centro de Curitiba, vai receber ações esportivas desenvolvidas por projetos que atuam na área. O Instituto Icaro, por exemplo, vai montar mini quadras de tênis e disponibilizar professores para quem quiser aprender. As atividades são gratuitas e acontecem das 8h às 13h e também vão contar com a participação de iniciativas como Futebol de Rua, Instituto Compartilhar e Instituto Atleta Bom de Nota.